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Sobre

Conheça a história, a filosofia e o projeto

Leandro Garcia

Leandro Garcia

Por muito tempo eu não soube lidar com o que sentia.

Cresci em uma família onde emoções não eram nomeadas. Ninguém sentava para conversar sobre o que estava acontecendo por dentro. Cada um se virava com o que tinha e como podia. Eu aprendi a me virar também — e fui carregando uma angústia que não sabia nomear. Um peso constante que não conseguia localizar nem no corpo nem na cabeça. Estava ali, difuso, presente.

Eu não me observava. Não sabia que isso era possível. As emoções vinham e me levavam junto — raiva virava explosão, medo virava paralisia, tristeza virava desaparecimento. Entre sentir e reagir não havia espaço. Eu era o que sentia. E por não conseguir ver o que acontecia dentro de mim, não conseguia fazer nada diferente.

Fui buscando caminhos. Não de forma organizada — de forma urgente. Algo que trouxesse alívio ao corpo. Algo que acalmasse a mente. Sentido através da fé. Entendimento através de estudos. Ajuda através da terapia. Cada coisa entrou quando precisou entrar.

No meio desse processo, comecei a encontrar práticas que funcionavam.

A meditação criou espaço. Pela primeira vez, consegui ver uma emoção surgir sem ser imediatamente arrastado por ela. Havia um observador. Eu não era só a raiva — havia algo em mim que percebia a raiva. Esse espaço pequeno mudou tudo.

A respiração foi uma descoberta. Eu não sabia que podia intervir no meu próprio sistema nervoso de forma tão direta. Que desacelerar a expiração acalmava. Que certos padrões energizavam. Descobri que tinha uma ferramenta de regulação que sempre esteve ali, esperando ser usada.

A escrita me ajudava a tirar de dentro o que estava confuso. Eu pegava um papel e escrevia tudo o que estava sentindo, sem filtro. O que estava emaranhado ganhava forma fora de mim. Colocar em palavras criava distância, e com distância eu conseguia ver.

O trabalho com partes internas revelou que eu não era uma coisa só. Havia vozes diferentes em mim — uma que criticava, uma que tinha medo, uma que queria agradar, uma que queria explodir. Eu podia conversar com elas. Não precisava ser dominado.

As frequências sonoras alcançavam lugares que o pensamento não alcançava. O corpo respondia antes de eu entender por quê. Algo mudava sem eu precisar analisar ou controlar. Era alívio por outra porta.

Eram coisas simples. Vindas de lugares diferentes — tradições contemplativas, psicologia, neurociência, filosofia, conhecimento popular. Mas tinham algo em comum: usavam capacidades que eu já tinha — só não sabia que podia usar.

Esse processo não acabou. Não tem ponto de chegada. Há dias em que consigo me observar e dias em que sou pego de surpresa. Não é linear.

Mas existe diferença. Hoje há recursos. Formas de perceber quando algo não está bem. Formas de nomear o que antes era só sensação. Formas de lidar com o que aparece, em vez de apenas ser levado.

Antes eu não tinha nada disso.


Sócrates - Filósofo grego

A Filosofia

"Conhece-te a ti mesmo" — a inscrição no Templo de Apolo em Delfos é uma das mais antigas formulações do que este projeto investiga. A pergunta sobre o que o ser humano é e o que pode saber sobre si mesmo acompanha a humanidade desde que ela se observa.

Desse convite milenar nasce a pergunta que orienta o MyWakeUp:

O que todo ser humano já possui, pelo simples fato de existir, para se conhecer?

A pergunta assume que a resposta existe. Assume que há, na constituição do ser humano, algo suficiente para o trabalho de se conhecer. São capacidades inerentes — sentir o corpo, perceber emoções, observar pensamentos, direcionar a atenção, acessar memórias, expressar o que está dentro. Capacidades que fazem parte do que é ser humano, independentemente de qual tradição ou disciplina as nomeie.

Este trabalho acredita que o autoconhecimento é possível a partir do que já está presente. Que as capacidades necessárias já existem em todo ser humano. Que tradições contemplativas e disciplinas científicas produziram, ao longo da história, conhecimento genuíno sobre essas capacidades. E que é possível reunir e organizar práticas que operem exclusivamente com o que é inerente — de forma direta, acessível e autônoma.


MyWakeUp

O MyWakeUp

O MyWakeUp carrega no nome o convite que o originou: despertar. Despertar para dentro. Para as capacidades que todo ser humano já possui e que, na maior parte do tempo, operam sem que se perceba — o corpo que sente, a atenção que observa, o pensamento que examina, a palavra que dá forma ao que era difuso. Despertar para o que já está presente e sempre esteve.

O projeto nasceu de um desejo genuíno de dividir com o mundo o que funcionou e vem funcionando comigo. As práticas que encontrei ao longo do caminho me ajudaram. Reuni o que encontrei, organizei e disponibilizei para quem quiser usar.

Para organizar isso de forma estruturada, o trabalho exigiu método. Mapeei práticas em tradições contemplativas, em psicologia, neurociência e filosofia. Estabeleci critérios de seleção e apliquei a cada uma. Estruturei o resultado em cinco níveis — das condições da existência humana até as práticas que podem ser realizadas de forma autônoma. Cada nível fundamenta o seguinte.

O processo inteiro está aberto para verificação. A documentação completa — papers, datasets, critérios, análises — está depositada em repositórios acadêmicos abertos. Você pode consultar tudo na página de Estudos e Publicações.

O repositório está aberto. O que você faz com ele é seu.